logotipo Portal da Familia

Portal da Família
Início Família Pais Filhos Avós Cidadania
Vídeos Painel Notícias Links Vida Colunistas
 

Floriano Serra

Coluna "Em Família"
Pai, quando teremos outro irmão?

André Pessoa



Não são poucos os pais que comentam que seus filhos, com uma insistência eventual, lhes perguntam quando virá um outro irmão. Esta pergunta normalmente nos deixa engasgados... pois uma série de variáveis estão em jogo.

Procuramos sempre nos antecipar aos companheiros do colégio, e ensinamos aos nossos filhos o respeito que devemos ter pelo processo de geração de uma nova vida, um dos fundamentos do amor de Deus aos homens, que nos confiou tarefa tão magnânima da procriação de um novo ser humano, a quem infunde uma nova alma. Para que nos façamos compreender aos nossos filhos, começamos por comentar que, assim como Deus criou a sede para que não morrêssemos desidratados, o instinto sexual foi criado para que as espécies não se extinguissem. Ressaltamos, entretanto, que, sobre o instinto, a razão deve prevalecer, o que termina por ordenar este instinto ao nível sobrenatural.

Se o instinto está efetivamente sob controle da razão, o que nos leva, então, a tomarmos a decisão de termos um filho? A vinda do primogênito pode ser estimulada pela auto-relização da pa/maternidade... pela problemática da perpetuação do nome da família, que são, em seu âmago, motivos egoístas. Mas normalmente o que nos leva a termos um filho é justamente o oposto... a generosidade e o desprendimento.

O primeiro filho efetivamente muda a vida do jovem casal. Abdicamos da boemia livre de horários e do lazer descompromissado, para nos restringirmos aos limites saudáveis de uma criança. E de noite somos acordados de três em três horas, o que nos esgota. A decoração de nossa casa tem que mudar para ficar menos quebrável. A carreira profissional da mãe se comprime. Além disso, dizem que a barriga fica flácida... E como se gasta dinheiro... do parto... as fraldas... a comida... o colégio.. etc!!!

Ainda existem outros motivos genéricos e "institucionalizados", a que se lança mão como auto-justificação. "A vida hoje não é como antigamentel!!", "Com este governo e este salário não dá nem para espirrar!!", "Não serei cúmplice de um mundo superpovoado", "O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo!!" São motivos próprios de pessoas pessimistas e derrotistas.

Mas continuam nascendo, porque os pais são generosos!! Estão dispostos a trocar o lazer e seus planos de capitalização por um aperto no orçamento e um novo filho.

A generosidade não precisa de explicações. Mas se queremos racionalizar, existem bons motivos para termos filhos. Pergunte a quem os tem, se está arrependido e seguramente a resposta será uma negativa rotunda. O primeiro benefício é o crescimento dos pais. Ao primogênito temos que aportar maior responsabilidade pela família que nasce, sensibilidade e respeito pelo cônjuge, pelo novo papel que assumem. Começam a ler sobre o assunto, a buscar cursos, livros especializados, a experiência e o conselho de amigos. Procuram ganhar altura, adquirir virtudes e a se preparar por dentro.

Do segundo filho em diante os pais se desdobram em atenção. Se exigia um determinado nível de paciência, descobrimos que o poço não está seco... e que nosso interior tem uma elasticidade incrível. É como o milagre da "multiplicação dos pães"... o coração se dilata e ganha maior peso específico.

E este efeito se propaga dentro de casa. Se a alegria a ser compartilhada em família é extasiante, tem crescimento exponencial de acordo com a quantidade de irmãos. Um lar com dois filhos não é duas vezes mais alegre do que a que tem um filho único... é muito mais alegre. Uma casa com vários irmãos é mil vezes mais alegre... e luminoso.

Um irmão é um bem para o outro. A convivência entre irmãos apara as arestas, tonifica a vontade, é um caldeirão de virtudes. Quando pedem um novo filho, estão renunciando uma parte de seu mundo para ser compartilhado. Talvez não compreendam, mas sentem em seu íntimo que o maior presente que seus pais lhes podem dar é um novo irmão. E possivelmente, mais amadurecidos, não mais proporiam... "Pai, quando teremos outro irmão?" ... e sim "Ei pai!! Vamos dilatar nosso coração?"



André Pessoa é pai de seis filhos, Mestrado em Orientação Familiar por Navarra, ministra cursos e palestras de Educação de Filhos desde 1995; Graduado pelo IME (Engenharia), Pós-Graduado pela PUC (Administração), FGV (Contabilidade Gerencial), ISE (Programa de Treinamento de Executivos) e Navarra (Orientação Familiar); Consultor da Accenture.
e-mail: andre.v.pessoa@gmail.com


 

Ver outros artigos da coluna

Divulgue este artigo para outras famílias e amigos.

Inscreva-se no nosso Boletim Eletrônico e seja informado por email sobre as novidades do Portal
www.portaldafamilia.org


Publicidade